Dr. Leonardo Reis Cotta - Urologista

Cistite de Repetição

Os sintomas mais comuns incluem ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, presença de sangue na urina e dor na parte inferior do abdômen. A cistite de repetição é muito mais frequente nas mulheres devido à sua anatomia.

6/14/20263 min ler

Quando a infecção urinária torna-se frequente — com dois ou mais episódios em seis meses ou três ou mais episódios em um ano — ela passa a ser denominada cistite de repetição. Essa condição pode prejudicar o sono, a vida sexual e o bem-estar emocional, além de aumentar a necessidade do uso frequente de antibióticos.

Os sintomas mais comuns incluem ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, presença de sangue na urina e dor na parte inferior do abdômen. A cistite de repetição é muito mais frequente nas mulheres devido à sua anatomia.

A uretra feminina é mais curta (cerca de 4 cm) e está localizada próxima à região anal, área com grande colonização bacteriana. A doença apresenta dois picos de incidência na mulher: no início da vida sexual (devido ao contato com espermatozoides, preservativos e outros fatores) e na menopausa, quando a diminuição do estrogênio altera o pH vaginal e reduz as defesas naturais da região.

Principais fatores de risco

  • Baixa ingestão hídrica;

  • Segurar a urina por longos períodos;

  • Constipação intestinal;

  • Não urinar após a relação sexual;

  • Predisposição genética.

Diagnóstico

O diagnóstico correto é fundamental. Por isso, é importante realizar a urocultura com antibiograma, exame que identifica a bactéria causadora da infecção e determina quais antibióticos são eficazes para combatê-la.

A ultrassonografia também fornece informações importantes, como a presença de cálculos urinários, malformações congênitas, aumento da próstata e volume residual urinário (quantidade de urina que permanece na bexiga após a micção).

Tratamento

O tratamento é realizado com antibióticos, de acordo com o resultado da urocultura. Não se deve utilizar antibióticos apenas durante os sintomas, nem se automedicar.

Os antissépticos urinários podem ser utilizados para aliviar a ardência ao urinar e o desconforto pélvico. No entanto, eles não combatem a infecção, apenas reduzem os sintomas, não substituindo o tratamento com antibióticos. Entre os mais utilizados estão Cystex®, Pyridium® e Sepurin®.

Medidas Preventivas

As medidas preventivas são fundamentais e podem ser divididas em mudanças de comportamento e tratamentos complementares.

  • Hidrate-se adequadamente. A urina deve apresentar coloração amarelo-clara. Quando está escura e concentrada, pode indicar desidratação.

  • Urine regularmente, a cada duas ou três horas. A urina parada na bexiga favorece a proliferação bacteriana.

  • Evite produtos irritantes na região íntima, como sabonetes, desodorantes íntimos e cremes que alteram o pH local e a flora bacteriana.

  • Use roupas íntimas adequadas. Prefira peças de algodão e evite roupas muito apertadas. Caso estejam úmidas, troque-as imediatamente, como ocorre após o uso prolongado de biquínis ou sungas molhadas.

  • Mantenha o intestino funcionando regularmente. A constipação intestinal provoca acúmulo de fezes no reto, alterando a flora bacteriana e favorecendo a migração de bactérias para o trato urinário. Além disso, pode dificultar o esvaziamento completo da bexiga.

  • Urine após a relação sexual. Durante o ato sexual, algumas bactérias podem ser empurradas para dentro da uretra. Ao urinar após a relação, elas tendem a ser eliminadas.

  • Evite o uso indiscriminado de antibióticos. Essa prática favorece a seleção de bactérias resistentes, as chamadas "superbactérias", dificultando o tratamento de futuras infecções.

  • Mulheres na menopausa, com diminuição dos níveis de estrogênio, atrofia ou ressecamento vaginal, podem se beneficiar da reposição estrogênica local, sob orientação médica, para melhorar a saúde da mucosa vaginal.

  • Profilaxia com antibióticos. Em casos selecionados, pode ser indicada a utilização de baixas doses diárias de antibióticos por um período determinado, geralmente seis meses, reduzindo a recorrência das infecções.

  • Vacinas imunoprotetoras, compostas por fragmentos bacterianos (lisados bacterianos), podem estimular o sistema imunológico e diminuir as recidivas da infecção urinária.

  • Suplementos como cranberry e D-manose podem auxiliar na prevenção, pois dificultam a fixação das bactérias na parede do trato urinário.

Conclusão

Diante de um quadro de infecção urinária, procure ajuda médica. Nunca se automedique e realize a urocultura sempre que houver indicação. O diagnóstico correto e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir complicações e reduzir a recorrência das infecções.

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